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Julie deixa o Circo Víctor Hugo Cardinali para o santuário da Pangea Trust no Alentejo

Elefante a subir uma rampa com a ajuda de uma pessoa num santuário ao ar livre num campo seco.

Julie, elefanta que passou 38 anos ao serviço do Circo Víctor Hugo Cardinali, prepara-se para começar uma nova etapa fora da vida itinerante. Quando a mudança acontecer, será a primeira residente do primeiro santuário europeu de grande escala dedicado a elefantes, um projecto da Pangea Trust.

O anúncio da transferência foi feito esta quinta-feira numa comunicação conjunta do Circo Víctor Hugo Cardinali e da Pangea Trust. Em declarações ao Expresso, uma fonte oficial da Pangea explicou que Julie está actualmente a cumprir o processo de treino indispensável para uma deslocação desta natureza, razão pela qual ainda não existe uma data definida para a viagem.

A lei de 2018 e o fim dos animais selvagens nos circos em Portugal

Julie é, neste momento, o último animal selvagem presente em qualquer circo no país. Em 2018, o Parlamento português aprovou a lei que proibiu a utilização de animais selvagens em circos em Portugal.

Esse diploma estabeleceu um período transitório de seis anos até à entrada em vigor plena das novas regras, dando tempo às companhias que ainda detinham animais selvagens para encontrarem soluções adequadas.

O santuário da Pangea Trust no Alentejo (400 hectares)

Foi nesse contexto que o Circo Víctor Hugo Cardinali, em articulação com a associação sem fins lucrativos Pangea, avançou com uma solução para Julie: a integração num santuário com 400 hectares, localizado entre Alandroal e Vila Viçosa. A Pangea iniciou a construção deste espaço em 2025.

A escolha do Alentejo para receber o santuário teve por base critérios como "clima, disponibilidade de terreno, valor ecológico, acessibilidade e sustentabilidade a longo prazo", como detalha a Pangea Trust no seu website. A associação garante que o espaço foi desenhado de propósito para assegurar a elefantes como Julie as condições necessárias - área disponível, enquadramento ambiental e companhia - com vista ao seu bem-estar. “Os elefantes acolhidos contarão com o acompanhamento de uma equipa especializada, dotada da experiência necessária para apoiar a sua saúde e bem-estar nos seus últimos anos de vida”, pode ler-se no comunicado.

A transição de Julie: colaboração com o Circo Víctor Hugo Cardinali

Víctor Hugo Cardinali reconheceu que tomar esta decisão foi um processo difícil, uma vez que Julie estava integrada no circo há mais de 30 anos, tendo chegado ainda cria vinda da África do Sul. Ainda assim, frisou que o trabalho em estreita colaboração com a Pangea na preparação da transição para a nova casa foi determinante.

Do lado da organização que irá acolher a elefanta, foi igualmente sublinhada a relevância de construir parcerias com os proprietários para encontrar respostas ajustadas às necessidades dos animais - algo que, segundo a associação, foi conseguido no caso do Circo Víctor Hugo Cardinali.

No início deste ano, a Pangea já tinha apoiado a realocação de Sona, o último tigre de circo existente no país. Com a futura ida de Julie para o santuário alentejano, completa-se o processo desencadeado pela lei de 2018: deixam de existir animais selvagens em circos portugueses. Entretanto, o novo santuário prepara-se também para acolher Kariba, outra elefanta africana, que vive actualmente sozinha num jardim zoológico na Bélgica.

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