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David Mendonça dos Vizinhos no Posto Emissor sobre ‘Só Se Estraga Uma Casa’

Dois jovens a sorrir, um a tocar acordeão e outro a aplaudir, enquanto uma terceira pessoa grava com telemóvel.

Em dezembro de 2024, os Vizinhos juntaram-se oficialmente - e, em poucos meses, já eram tema de conversa em todo o país graças a ‘Pôr do Sol’. A canção ganhou vida própria, muito por causa de um verso impossível de ignorar: “Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior.”

A amizade vem de trás, dos tempos em que se encontraram no Grupo Académico Seistetos, em Évora. David Mendonça, Miguel Brites e Francisco e Tomás Cartaxo misturam na mesma fórmula a devoção ao Alentejo com um romantismo ousado, que entretanto já deu origem a mais dois temas bem-sucedidos. ‘Casar É Pra Esquecer’ e ‘Pobre Ex-Namorado’ fazem parte do alinhamento de “Só Se Estraga Uma Casa”, o álbum de estreia que acabam de lançar.

Com as canções a rodarem em força, o quarteto segue agora em digressão pelo país e prepara dois momentos especiais: a 21 e 28 de novembro, respetivamente, cumpre o objetivo de subir aos palcos dos Coliseus do Porto e de Lisboa. David Mendonça, vocalista e acordeonista do grupo, passou pelo podcast “Posto Emissor” para falar da ascensão meteórica e do que o público encontra em “Só Se Estraga Uma Casa”.

“Só Se Estraga Uma Casa”: canções, romantismo e atrevimento dos Vizinhos

O tom romântico que atravessa “Só Se Estraga Uma Casa” não apareceu do nada. “A nossa inspiração já vem do Grupo Académico Seistetos, em que cantávamos as serenatas e conquistávamos as nossas donzelas, como diziam as letras”, contextualiza Mendonça.

Se em ‘Pôr do Sol’ o objetivo era seduzir a pessoa amada a rumar ao Alentejo, em ‘Casar É Pra Esquecer’ e ‘Pobre Ex-Namorado’ a abordagem subiu de intensidade - sem segundas intenções, garante. “A frase ‘já ninguém namora e casar é para esquecer’ não é para roubar a namorada à outra pessoa, é mais: ‘o vizinho está disponível’.”

Adeus, anonimato

Quando ‘Pôr do Sol’ - a primeira canção que escreveram - chegou às plataformas de streaming, em março do ano passado, os Vizinhos tinham uma existência ainda muito recente. Mesmo sem depositarem grandes expectativas no tema, a verdade é que a música ultrapassou de longe as previsões mais otimistas e acabou por “explodir” no TikTok.

O verso de ‘Pôr do Sol’ que pegou no TikTok

Na rede social, começaram a surgir em catadupa vídeos que recuperavam a frase-mote, “se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior”, transformando-a numa tendência.

“Quando acabámos o vídeo, eu disse: ‘Olhem, se a música chegar a uma rádio nacional, nós vamos a Fátima a pé’. E fomos a Fátima a pé”, conta Mendonça, lembrando o tema que, recentemente, lhes trouxe o prémio de Canção do Ano nos Prémios Play.

Com os singles seguintes e as colaborações com os conterrâneos Átoa a confirmarem o momento, a banda deixou de ser anónima sem tempo para se habituar à mudança. “Sabíamos que a partir do momento em que as músicas ficaram virais havia a possibilidade de irmos na rua e pedirem-nos uma foto, mas não estávamos preparados para esta avalanche”, admite. “Não conseguimos ir a lado nenhum, privacidade zero. Quando entramos no quarto do hotel, benzemo-nos todos os dias.”

Ainda assim, garante que a rotina não foi totalmente virada do avesso: “Se tivermos de ir beber uma cerveja ou jantar sushi, vamos, mas já vivi episódios difíceis com o meu filho e a minha mulher no shopping.”

“Temos um grupo no WhatsApp com os Bandidos do Cante, os Descendentes, o Trigacheiro e o Buba. Chama-se ‘Só se estraga uma casa’”, diz David Mendonça

Das serenatas aos grandes palcos

Embora tenha crescido no Algarve, Mendonça diz que a ligação ao Alentejo sempre foi sólida - e aponta, como exemplo, as modinhas que aprendeu a tocar no acordeão quando era criança.

“A minha mãe tinha um grupo, mas eu nunca fui encorajado a ir para a música. Era futebol, futebol, futebol, até que um dia vi um acordeão pequenino dentro do guarda-fatos”, recorda.

O plano de vir a ser professor de música levou-o até Évora, onde se cruzou com os restantes Vizinhos. Cada um seguia o seu percurso académico - da Enologia à Engenharia Informática e Mecatrónica -, mas a identidade alentejana que hoje exibem em palco mantém-se no centro de tudo.

Ligações na nova música do Alentejo

Essa dimensão identitária reflete-se também nas pontes com outros artistas emergentes da região. “Temos um grupo no WhatsApp com os Bandidos do Cante, os Descendentes, o Luís Trigacheiro e o Buba Espinho. Chama-se ‘Só se estraga uma casa’”, revela, afastando a ideia de uma rivalidade entre projetos.

David Mendonça, dos alentejanos Vizinhos, passou pelo “Posto Emissor” para falar do sucesso repentino da banda e apresentar o álbum de estreia, “Só Se Estraga Uma Casa”

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