Saltar para o conteúdo

Slayyyter afirma-se com “Wor$t Girl in America”

Mulher com vestido prateado canta com microfone rosa numa rua, com casa e bandeiras americanas ao fundo.

A década das reviravoltas na pop

Nos últimos anos, a pop tem sido terreno fértil para narrativas de artistas a dar a volta ao guião. Em 2023, Raye contornou as expectativas da indústria com a estreia bem acolhida “My 21st Century Blues”. Em 2024, após mais de uma década de produção ininterrupta, Charli XCX chegou ao patamar maior com “Brat”. Já 2025 marcou a passagem de Addison Rae de fenómeno do TikTok a nova aposta musical, graças ao elogiado primeiro álbum, “Addison”. Tudo indica que 2026 será o ano em que Slayyyter se afirma.

Slayyyter e “Wor$t Girl in America”: pop contra o conformismo

Em termos sonoros, estes nomes pouco partilham; ainda assim, há um traço comum: a vontade de estragar o conforto do status quo da pop e fazer as coisas à sua maneira. “Wor$t Girl in America”, o terceiro álbum da norte-americana Slayyyter - ou o quarto, se também contarmos a compilação homónima de 2019 -, é um golpe certeiro em quem insiste que uma cantora pop deve dobrar-se a desígnios doces e inofensivos de uma indústria que, num género como este, vive de reinvenções constantes para não perder relevância.

Sem o amparo óbvio de produtores de primeira linha, estas 14 canções expõem uma criativa em modo turbo: tanto se entrega à lascívia da pista de dança em ‘Dance…’, numa corrida assumida ao título de canção mais sexy do ano, como mergulha sem rede na agressividade punk de ‘Crank’, que “incendiou” o festival de Coachella.

Faixas em destaque, referências e o pico de efervescência

Colocado algures entre a disrupção do eletroclash e o maximalismo hiperpop, “Wor$t Girl in America” tanto podia funcionar como banda sonora para uma série tipo “Euphoria” como baralhar Britney Spears num multiverso. ‘Beat Up Chanel$’ é um triunfo brega-funk à americana; ‘Cannibalism!’ entra com um baixo pulsante e delicioso; ‘Gas Station’ recupera a sombra de uns defuntos Crystal Castles; ‘Yes Goddd’ puxa pela violência do emo hardcore; e ‘Brittany Murphy.’, a fechar, tem tudo para pegar na rádio. Ainda assim, é em ‘I’m Actually Kinda Famous’ que Slayyyter atinge o topo da efervescência - depois de um estrondo destes, talvez aquele ‘kinda’ já nem faça falta.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário