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Como a Amabilidade no modelo Big Five influencia o gosto por filmes e música, segundo Eugene Mathes

Jovem sentado no chão a ouvir vinil numa sala com TV, auscultadores e decoração acolhedora.

Muitas pessoas abrem uma plataforma de streaming, fazem scroll sem fim e carregam em qualquer coisa - é um hábito comum. Mas vários estudos em Psicologia indicam algo curioso: quem é particularmente caloroso, prestável e atencioso tende a escolher com muito mais intenção aquilo que vê e ouve. O padrão do gosto por filmes e música parece estar ligado, de forma directa, à personalidade.

O que a personalidade tem a ver com o gosto por filmes

Na investigação contemporânea sobre personalidade, o modelo Big Five é uma referência central. Uma das cinco dimensões chama-se amabilidade - também descrita como cordialidade ou bondade. Pessoas com níveis elevados de amabilidade costumam ser cooperantes, empáticas e abertas a compromissos. Dão importância à harmonia, tanto no trabalho como na vida pessoal.

Já quem pontua mais baixo nesta dimensão tende a ser mais desconfiado, mais orientado para a competição e, por vezes, mais frio no trato. Este traço mantém-se relativamente estável ao longo da vida. Ainda assim, reage ao contexto - e é aqui que entram as séries, os filmes e as listas de reprodução.

"Os estudos sugerem: pessoas cordiais mantêm uma espécie de ‘dieta da alma’ - e organizam o consumo de media consoante a forma como isso as faz sentir."

Em vez de verem tudo ao acaso, estas pessoas escolhem mais vezes conteúdos que lhes despertam calor humano, compaixão e sentimento de ligação aos outros. Narrativas brutais, cínicas ou extremamente agressivas aparecem menos na sua lista do que ver.

A ideia central: emoções alinhadas com o carácter

O psicólogo norte-americano Eugene Mathes analisou esta ligação com mais detalhe. A sua tese principal é que as pessoas procuram emoções que combinam com os seus padrões internos. Quem é mais ansioso ou neurótico tende a cair com maior frequência em atmosferas sombrias. Já os extrovertidos gravitam para sentimentos positivos e cheios de energia.

Mathes quis perceber se isto também se aplica à amabilidade: será que pessoas mais calorosas procuram propositadamente media que reforcem a compaixão - e evitam conteúdos que as endureçam emocionalmente?

Como foram desenhados os estudos

Em dois estudos com estudantes universitários, Mathes pediu primeiro que os participantes preenchessem questionários sobre a sua amabilidade. Depois, solicitou que indicassem as suas músicas, filmes e séries preferidos - isto é, títulos que poderiam ouvir ou ver repetidamente.

Numa fase seguinte, os participantes avaliaram como esses conteúdos os faziam sentir. Por exemplo:

  • Esta canção torna-me mais carinhoso ou deixa-me mais duro e agressivo?
  • Esta série faz-me ficar mais compassivo ou mais cínico e irritado?
  • Depois deste filme, sinto-me mais em paz ou mais pronto para o confronto?

O resultado foi claro: quanto mais amável e cordial era a pessoa, mais os seus conteúdos favoritos provocavam emoções suaves e pró-sociais. Já os indivíduos com baixa amabilidade referiram, proporcionalmente, mais filmes, séries e músicas em que a violência, a vingança, a raiva ou um forte cinismo ocupam o primeiro plano.

"Pessoas cordiais preferem histórias sobre reconciliação a fantasias de vingança - semana após semana."

Padrões típicos: o que pessoas cordiais gostam de ver e ouvir

Naturalmente, existem excepções - ninguém se torna antipático só por gostar de um filme de acção. O ponto está na tendência do conjunto. Quando se observam muitos perfis, surgem padrões que se repetem com frequência em pessoas muito cordiais.

Conteúdos frequentes em pessoas particularmente calorosas

  • Séries leves e bem-humoradas, com personagens agradáveis
  • Filmes em que amizade, família ou reconciliação estão no centro
  • Música com uma base suave e positiva, muitas vezes romântica ou esperançosa
  • Documentários inspiradores sobre pessoas que ajudam os outros ou constroem algo
  • Filmes “feel-good” que deixam uma sensação de aconchego no final

Em contrapartida, em pessoas menos amáveis surgem mais vezes conteúdos alimentados por conflito, jogos de poder e dureza. Enquadram-se aqui filmes de acção muito brutais, séries extremamente cínicas ou música que sublinha raiva, desprezo ou agressividade aberta.

Teste no dia a dia: o que a sua mistura de media revela sobre a sua amabilidade

Quem ficou curioso pode experimentar esta abordagem em casa sem grande esforço. Basta alguma honestidade - e alguns minutos.

Verificação passo a passo das suas séries, filmes e listas de reprodução

  1. Anote três músicas, três filmes e três séries que neste momento consome com mais gosto.
  2. Para cada título, pergunte-se: depois disto, sinto-me mais suave, mais carinhoso, mais compreensivo - neutro - ou mais irritável, mais cínico, mais duro?
  3. Atribua a cada item uma tendência espontânea: “aquece-me”, “neutro” ou “endurece-me”.
  4. No fim, olhe para a distribuição: predominam as impressões “quentes” ou as “duras”?

Quem quiser pode transformar isto num pequeno experimento: durante uma semana, escolher de forma mais consciente o que põe nos ouvidos e no ecrã - e registar como mudam o humor e a forma de lidar com os outros.

"Um diário de media durante cinco a sete dias mostra muitas vezes, com clareza, como os conteúdos mexem com a paciência, a empatia e a irritabilidade."

Como reforçar a sua amabilidade com escolhas de media

A Psicologia parte do princípio de que experiências emocionais repetidas deixam marcas no comportamento. Quando se alimenta o cérebro continuamente com imagens de traição, brutalidade e escárnio, treina-se, sem dar por isso, uma determinada forma de olhar para as pessoas. Pelo contrário, histórias de entreajuda, lealdade e segundas oportunidades podem tornar a compaixão mais fácil de activar no quotidiano.

Ideias concretas para uma “cura de media” mais cordial

  • Planear conscientemente mais comédias calorosas, em vez de apenas séries carregadas de cinismo
  • Ver documentários sobre pessoas que ajudam outros ou encontram soluções criativas
  • Criar listas de reprodução que acalmem mais do que incitem
  • Se houver noites de policiais ou acção muito intensos, equilibrar no dia seguinte com um filme leve
  • Escolher com regularidade histórias em que as personagens se perdoam ou amadurecem

A proposta não é consumir apenas conteúdos “certinhos”. O essencial é manter a balança emocional sob controlo. Se notar que a sua dieta de media está muito marcada por cinismo, gozo e violência, pode compensar de forma deliberada - e observar o impacto na paciência, na disponibilidade para conversar e na tranquilidade interior.

Porque este efeito pode ser mais forte do que muitos pensam

Os media não actuam só no momento em que estão a ser consumidos. Imagens, diálogos e melodias continuam a ecoar por dentro, moldam expectativas e influenciam a forma como avaliamos os outros. Quem vê todas as noites histórias cheias de fraude e emboscadas torna-se, sem perceber, mais desconfiado. Quem acompanha com frequência reconciliação e solidariedade tende a acreditar mais na cooperação.

Aqui, psicólogas e psicólogos falam de regulação emocional. As pessoas usam filmes, séries e música para entrar em certos estados de espírito ou para sair deles. Quem é mais cordial não só parece mais “simpático” - também orienta as emoções, ao que tudo indica, mais vezes para a direcção do calor humano e da ligação, e o consumo de media reflecte exactamente isso.

Quem quer trabalhar a própria amabilidade não precisa de começar com métodos complicados. A próxima lista de reprodução ou a próxima noite de cinema já pode ser um ponto de viragem: um pouco menos de cinismo, um pouco mais de humanidade no ecrã - e aumenta a probabilidade de isso se notar em conversas, discussões e pequenos conflitos do dia a dia.


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