15.ª edição do Open House Lisboa sob o tema "Arquitetura e comida"
Este sábado e domingo, o Open House Lisboa abre gratuitamente as portas de 77 espaços ligados ao abastecimento alimentar da capital - da produção à venda - incluindo locais normalmente "longe dos olhares do público".
Nesta 15.ª edição da iniciativa da Trienal de Arquitetura de Lisboa, dedicada a "Arquitetura e comida", os comissários são o historiador Anísio Franco e a arquiteta Mariana Sanchez Salvador. Segundo a organização, ambos juntaram propostas de visita de "inúmeros espaços importantes que foram ou ainda são vitais para o abastecimento dos produtos alimentares à população de Lisboa".
Espaços visitáveis: da produção à comercialização e preparação
A programação deste ano percorre toda a cadeia alimentar - produção, distribuição, preparação e comercialização - e dá a conhecer locais com impacto no quotidiano e no planeamento urbano. Entre os espaços a visitar contam-se cozinhas (incluindo algumas históricas), armazéns, lojas, áreas de gestão de resíduos, restaurantes, mercados e hortas comunitárias.
Integram também o percurso, entre outros, a adega Belém, o Aqueduto das Águas Livres - Museu da Água, os Armazéns Abel Pereira da Fonseca, o Atelier-Museu Júlio Pomar - antigo armazém adaptado - o supermercado Auto Palace, o Banco Alimentar, a cervejaria Browers Beato, a cantina da Cidade Universitária e a Cervejaria Trindade.
Cozinhas e refeitórios em edifícios históricos
O público poderá ainda entrar em cozinhas e refeitórios associados a património histórico, como o Convento das Trinas do Mocambo, onde funciona atualmente o Instituto Hidrográfico, e o Convento de São Domingos, hoje reconvertido em Convent Square Lisbon Hotel. Estão igualmente incluídos os conventos do Beato e dos Cardeaes.
Fazem parte da seleção outros espaços como a cozinha do Centro de Apoio Social de São Bento, a cozinha popular da Mouraria, o Galeto, a Estufa Comunitária de Alvalade, o Martinho da Arcada e a Fábrica dos Pastéis de Belém. A organização sublinhou, na apresentação do evento a 29 de abril, que este conjunto ajuda a demonstrar que "historicamente, a comida foi central para a fundação das cidades e a sua prosperidade".
Programas especiais, visitas acessíveis e percursos urbanos
Além de divulgar o património arquitetónico de Lisboa, a iniciativa inclui um Programa Júnior, o Programa Plus, a Coleção de Passeios Sonoros, as Visitas Acessíveis e cinco percursos urbanos conduzidos por especialistas.
Questionada pela Lusa, na mesma ocasião, sobre a afluência nas duas últimas edições, a organização indicou 18.369 visitantes em 2025 e 24.421 em 2024, salientando tratar-se de "números globais que variam muito com a capacidade de entrada limitada dos espaços envolvidos em cada edição".
Da rede Open House Worldwide à coorganização em Lisboa
Criado em 1992 por Victoria Thornton, o conceito integra hoje a rede Open House Worldwide, presente em mais de 60 cidades em todo o mundo, incluindo Porto, Londres, Osaka, Tessalónica, Zagreb e Buenos Aires.
Em Lisboa, o Open House realiza-se todos os anos desde 2012, numa coorganização entre a Trienal de Arquitetura de Lisboa - presidida pelo arquiteto José Mateus - e a parceria da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural/Lisboa Cultura.
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