À primeira vista, o Bichon Havanais pode parecer um típico “cão de colo”. No entanto, por detrás do pelo fofo há um companheiro surpreendentemente resistente, esperto e activo, que costuma adaptar-se bem tanto a famílias com crianças como a pessoas que trabalham em teletrabalho. Quem pondera levar este cão para casa deve conhecer bem o seu temperamento, as suas necessidades e os custos reais envolvidos.
O que torna o Bichon Havanais tão especial
Originário de Cuba, o Bichon Havanais foi seleccionado precisamente para ser um cão de companhia. A ideia era viver perto das pessoas, dentro de casa - não no quintal nem num canil. Essa herança continua evidente: procura proximidade, contacto visual e uma ligação muito forte ao tutor.
"O Bichon Havanais é um típico “cão sempre-a-par” - quem o traz para casa ganha uma sombra de quatro patas."
É geralmente visto como alegre, sociável e muito recetivo à aprendizagem. A agressividade não é uma característica habitual da raça; quando se sente sobrecarregado, é mais provável que se afaste do que que reaja de forma ríspida. Ao mesmo tempo, muitos exemplares têm um lado “palhaço”: divertem-se a fazer disparates, adoram aprender pequenos truques e gostam de ser o centro das atenções.
Carácter: cão de família com potencial de palhaço
Dentro de casa, o Bichon Havanais tende a mostrar-se estável e tranquilo - desde que receba atenção e atividade suficientes. Não costuma ser um temerário, mas também não é, por norma, um feixe de nervos, sobretudo quando vem de criação séria e foi bem socializado ainda em cachorro.
Traços de temperamento mais comuns no dia a dia
- Muito orientado para as pessoas: procura quase continuamente a proximidade das suas figuras de referência.
- Gosta de brincar e aprender: excelente para treino de truques e pequenas tarefas do quotidiano.
- Adequado para famílias: normalmente é paciente com crianças, desde que estas o tratem com respeito.
- Atento, mas não “agressivo”: avisa quando chega alguém, mas tende a ser cordial.
- Sensível a ficar sozinho: muitos têm dificuldade com períodos longos de solidão.
Na prática, este último ponto é o que mais frequentemente causa dificuldades. O Bichon Havanais cria um apego muito intenso às “suas” pessoas. Quem trabalha a tempo inteiro fora de casa e pretende deixar o cão muitas horas sozinho, dificilmente ficará satisfeito com a raça. Dá para treinar separações curtas, mas não é um cão pensado para dias longos de escritório ou turnos.
Tamanho, peso e esperança média de vida
Em termos de aparência, o Bichon Havanais enquadra-se claramente nas raças pequenas, mas sem ser extremamente frágil. O corpo é compacto e, para o tamanho, bastante sólido.
| Característica | Valores |
|---|---|
| Altura ao garrote (machos) | cerca de 23–28 cm |
| Altura ao garrote (fêmeas) | cerca de 23–26 cm |
| Peso (machos) | cerca de 4–6 kg |
| Peso (fêmeas) | normalmente 4–5 kg |
| Esperança de vida | aproximadamente 12–15 anos |
Com uma média de 12 a 15 anos, o Bichon Havanais é considerado uma raça relativamente longeva. Ao optar por um cachorro, é muito provável que esteja a assumir um compromisso para bem mais de uma década - e, com bons cuidados, muitas vezes ainda mais tempo.
O pelo: uma “nuvem” bonita com contrato de manutenção
O Bichon Havanais tem uma pelagem longa, macia e frequentemente ligeiramente ondulada a encaracolada. Muitos tutores esperam um cão que “não larga pelo”, mas acabam surpreendidos com o tempo que a manutenção pode exigir.
Com que frequência escovar e dar banho?
Especialistas sugerem uma escovagem completa, no mínimo, duas a três vezes por semana. Em fases de troca de pelo, pode ser útil fazê-lo diariamente. Sem consistência, surgem rapidamente nós e pelo emaranhado, sobretudo atrás das orelhas, nas axilas e nas patas traseiras.
"Quem não tem um plano para a manutenção do pelo acaba por transformar um Bichon Havanais num novelo cheio de nós - em vez de um companheiro elegante."
O banho completo só é necessário quando faz sentido, por exemplo, se o cão estiver muito sujo. Um champô suave para cães é suficiente; depois, é importante secar bem a pelagem e escovar novamente. Além disso, a rotina deve incluir verificação das orelhas, corte de unhas e higiene oral. Em raças pequenas, o tártaro é comum se ninguém vigiar e intervier com regularidade.
Quanta atividade precisa um Bichon Havanais?
Apesar do porte pequeno, o Bichon Havanais não é um cão “apenas de sofá”. Gosta de passeios mais longos, de brincar com outros cães e aprecia atividades de faro. Não exige desempenho desportivo extremo, mas beneficia claramente de exercício diário e desafios mentais.
- Dois a três passeios por dia, com duração variável
- Sessões curtas de treino de truques ou jogos de inteligência em casa
- Contacto com outros cães compatíveis
- Pausas calmas para descansar e processar estímulos
Por ser pequeno, é fácil subestimar o impacto da alimentação: uns quantos mimos extra à mesa, aliados a pouca atividade, e o peso dispara. O excesso de peso, nesta raça, sobrecarrega particularmente as articulações e a coluna.
Saúde e riscos típicos
No geral, o Bichon Havanais é visto como robusto quando a criação é responsável. Ainda assim, como acontece com qualquer raça, existem predisposições a certos problemas.
Áreas de risco conhecidas
- Displasia da anca: alteração na articulação que pode provocar dor e claudicação.
- Doenças oculares: várias alterações hereditárias podem afetar a visão.
- Problemas dentários: dentes muito juntos, tártaro e inflamações associadas.
- Pele sensível: sobretudo quando o pelo não é cuidado de forma consistente.
Um criador consciente apresenta exames veterinários dos progenitores e fala com transparência sobre doenças hereditárias presentes na linha. Quem tenta poupar nesta fase ou cai em ofertas pouco claras, muitas vezes paga mais tarde - e em dobro - no veterinário.
Até que idade vive realmente um Bichon Havanais?
Os 12 a 15 anos referidos são uma média realista. Alguns cães chegam aos 16 anos ou mais quando genética, estilo de vida e cuidados estão alinhados. O que mais pesa costuma ser: manter um peso adequado, garantir exercício suficiente, fazer check-ups regulares e escolher uma alimentação ajustada.
Muitos tutores de Bichon referem que os seus cães se mantêm brincalhões até idades avançadas, desde que não sejam fisicamente exigidos em excesso. As limitações próprias da idade tendem a aparecer de forma gradual: passeios mais lentos, alguma perda de audição, maior necessidade de descanso. Quem adapta cedo as rotinas contribui para uma qualidade de vida visível.
Quanto custa realmente um Bichon Havanais?
A compra de um cachorro com documentação fica, regra geral, entre cerca de 1.500 e 2.500 euros. Este valor reflete criação séria, controlos de saúde, vacinas, desparasitações e muito trabalho nas primeiras semanas de vida.
"Quem poupa no preço de compra acaba muitas vezes por financiar os erros de uma criação barata - com contas veterinárias elevadas e muita preocupação."
Custos contínuos no dia a dia
- Alimentação: ração de qualidade, ajustada ao tamanho e ao nível de atividade.
- Veterinário: vacinas, consultas de rotina, tratamentos dentários e doenças pontuais.
- Higiene e estética: escovar pode ser feito em casa; cortes mais exigentes podem exigir tosquia profissional.
- Seguros: seguro de cirurgia ou de saúde, responsabilidade civil.
- Equipamento: trelas, peitorais, cama, brinquedos, caixa de transporte.
Na maioria dos casos, é pouco realista contar com menos do que um valor mensal de três dígitos, sobretudo se existir seguro de saúde ou de cirurgia. Ainda assim, esse tipo de cobertura pode compensar se surgirem problemas articulares ou oculares.
Para quem a raça é indicada - e para quem não é
O Bichon Havanais costuma encaixar bem em pessoas que querem um cão pequeno, mas com vontade de participar no dia a dia e de estar sempre por perto. Muitas vezes, dá-se bem com crianças, desde que estas compreendam que um cão não é um brinquedo. Também pode ser uma excelente opção para seniores que ainda caminham com facilidade e gostam de interagir com um companheiro de quatro patas.
Por outro lado, tende a ser menos adequado para quem tem pouco tempo, viaja frequentemente em trabalho ou procura um cão que fique, sem dificuldade, oito horas seguidas sozinho. Quem não quer dedicar-se à manutenção do pelo deve ponderar seriamente: uma raça de pelo curto poupa muito mais tempo do que este “peluche” cheio de energia.
Dicas práticas para o dia a dia com um Bichon Havanais
Investir numa boa escola de treino desde a fase de cachorro compensa. Esta raça aprende depressa e com gosto, pelo que métodos suaves e consistentes costumam resultar melhor. Uma abordagem demasiado dura ou com voz elevada pode deixar muitos destes cães sensíveis inseguros, em vez de aumentar a obediência.
Atividades como trickdogging, jogos de procura com comida ou pequenos objetos e sessões curtas de Rally Obedience são boas opções. Mantêm o cão mentalmente ocupado sem o “acelerar” fisicamente em excesso. Para as crianças, pode ser muito divertido - com supervisão dos adultos - ensinar truques simples como “dar a pata”, “rebolar” ou “fazer vénia”.
Outro aspeto frequentemente desvalorizado é a sensibilidade ao ruído. Muitos Bichon Havanais reagem de forma intensa a ambientes barulhentos. Uma habituação gradual a situações do quotidiano - aspirador, trânsito, visitas - ajuda a reduzir o medo desde cedo. Assim, cresce como um companheiro confiante, capaz de se sentir bem tanto numa esplanada como na sala de estar.
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