O acordeonista e compositor regressa à lembrança do instante em que percebeu que aquilo que ouvimos - os sons - também se pode nomear.
A primeira aula na escola de música “Sons e Tons”, em Samora Correia
"Ainda hoje ecoa na minha memória a primeira aula de música. A primeira vez que me explicaram que os sons que ouvíamos tinham nome. Lembro-me da sala, do instrumento onde foram tocadas aquelas notas, da presença da minha mãe e da professora. Lembro-me também da primeira vez que me colocaram o acordeão no colo. Tudo isto, na minha primeira tarde na escola de música "Sons e Tons", em Samora Correia. Não compreendo a razão, aparece sem avisar, mas esta memória visita-me muitas vezes. Talvez seja a minha primeira memória do ensino formal da música, talvez seja uma das memórias mais felizes da minha infância.
Nos dias de hoje, encontro alguns momentos semelhantes que me transportam para perto desse estado, como quando conheço uma nova partitura de que gosto, quando reencontro amigos em palco, quando uma performance faz sentido depois de inúmeros ensaios. É o caso do maestro Sylvain Cambreling, da Orquestra Sinfónica de Hamburgo, de toda a equipa presente na Hamburg Symphoniker e a possibilidade de nos podermos somar para criar algo maior. Procuro repetir este acontecimento musical, da descoberta e da aprendizagem, ao longo da minha vida. Tentando voltar sempre a essa primeira memória."
Descoberta e aprendizagem: o regresso a essa sensação em palco
O impulso de voltar a esse lugar - o da surpresa, da aprendizagem e do sentido que a música ganha - reaparece-lhe hoje através de experiências que lhe despertam a mesma intensidade: uma partitura nova de que se enamora, o reencontro com amigos em palco, ou o instante em que uma interpretação finalmente encaixa depois de muitos ensaios.
João Barradas
Acordeonista, instrumentista, compositor, 34 anos
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