As maiores figuras de Hollywood, da música, do desporto e da moda voltaram a reunir-se esta segunda-feira no tapete vermelho da Met Gala, o extravagante baile solidário de Manhattan que, em 2026, coloca em destaque a intersecção entre moda e arte.
Met Gala: tema "A Moda é Arte" e ligação à exposição "Costume Art"
Para aquele que é apontado como o maior evento social do ano em Nova Iorque, os convidados foram desafiados a vestir-se de acordo com o tema "A Moda é Arte", em articulação directa com a exposição "Costume Art" no Instituto de Trajes do Museu Metropolitano de Arte.
A gala funciona como principal angariação de fundos do Costume Institute do Met e, este ano, atingiu um valor recorde de 42 milhões de dólares (quase 36 milhões de euros), indicou aos jornalistas o CEO do museu, Max Hollein.
Ainda assim, a noite é também um enorme espectáculo nas redes sociais, onde as estrelas desfilam "looks" arrojados e exagerados, numa espécie de competição informal para ver quem cria o maior impacto.
Met Gala no tapete vermelho: chegadas, anfitriões e "looks"
Para quem vive e respira moda, a Met Gala - tradicionalmente realizada na primeira segunda-feira de maio - continua a ser um dos tapetes vermelhos mais importantes do mundo, conhecido por um brilho verdadeiramente ofuscante.
A lenda do ténis Venus Williams e a actriz vencedora de um Óscar Nicole Kidman, ambas co-presidentes do evento, estiveram entre as primeiras a aparecer.
Kidman destacou-se com um vestido-coluna vermelho, cintilante, de manga comprida, da Chanel, rematado com punhos largos de penas. Já Williams optou por um vestido preto com cristais Swarovski e um colar elaborado.
Williams, de 45 anos, explicou à Vogue que o "look" teve como referência um retrato seu na National Portrait Gallery.
A megaestrela da música Beyoncé, também copresidente, ainda não tinha feito a sua aguardada entrada - a primeira em uma década.
Doja Cat, que integra o "comité de anfitriões" da gala, escolheu um vestido drapeado de látex da Saint Laurent, com um decote recatado, mas com uma fenda que subia até à cintura.
Como habitual, toda a noite decorre sob o olhar da directora editorial global da Vogue, Anna Wintour - a grande formadora de opinião da moda nos Estados Unidos - que lidera o evento há 30 anos.
O evento do ano passado foi marcado pelo estilo subversivo do dandismo negro e constituiu uma edição rara da Met Gala por dar destaque aos homens e à moda masculina.
Moda e arte lado a lado na exposição "Costume Art"
A exposição deste ano propõe uma aproximação directa entre peças de moda e obras de arte, juntando elegância e património: um design de Saint Laurent colocado ao lado de "Íris", de Van Gogh, ou um vestido de John Galliano para a Maison Margiela em diálogo com uma estátua antiga.
"Quando penso na exposição, se houvesse uma palavra para a descrever, suponho que seria equidade ou equivalência, equivalência entre obras de arte", disse o curador do Costume Institute, Andrew Bolton, à AFP. "Portanto, não há hierarquia entre escultura, pintura, moda, fotografia, nem hierarquia entre corpos, entre o corpo clássico ou o corpo com deficiência", acrescentou.
A mostra "Costume Art", que abre a 10 de maio no venerável museu de Manhattan, pretende explorar o "corpo vestido" nas obras de arte ao longo dos séculos.
Protesto
A edição deste ano ficou envolta em polémica depois de o chefe da Amazon, Jeff Bezos, e a sua esposa, Lauren Sanchez Bezos, terem sido anunciados como principais patrocinadores e copresidentes honorários do baile, levando alguns activistas a protestarem contra a participação do casal bilionário.
A controvérsia intensificou-se quando o presidente da Amazon, Jeff Bezos, e a sua esposa, Lauren Sanchez Bezos, foram novamente apontados como patrocinadores de topo e copresidentes honorários da gala, com activistas a manifestarem o seu descontentamento face ao envolvimento de uma fortuna desta escala.
Antes da Met Gala, uma campanha contra a presença de Bezos e da sua esposa começou a surgir nas ruas e no metro de Nova Iorque, com apelos a um boicote a um evento que alguns classificam como uma ostentação grosseira de riqueza.
A iniciativa é atribuída a um grupo criado no Reino Unido chamado "Everyone Hates Elon" que, como sublinhou um porta-voz, "tem como alvo outros bilionários" para além de Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo.
Wintour afirmou hoje que o casal tinha "demonstrado com este evento que se preocupa genuinamente em retribuir".
A Met Gala teve a sua primeira edição em 1948 e, durante décadas, foi um acontecimento reservado à alta sociedade nova-iorquina - até que Wintour, nos anos 1990, a transformou numa "passerelle" de enorme visibilidade para ricos e famosos.
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